Vacinação contra a gripe e bem-estar no inverno

Com a chegada dos meses frios, regressam também os desafios à nossa saúde. O frio, os dias curtos e a redução da luz solar parecem conspirar contra o nosso bem-estar, fragilizando o sistema imunitário e aumentando a probabilidade de adoecermos. Entre constipações, gripes e carências vitamínicas, o inverno exige de nós uma atitude mais preventiva. E é precisamente aqui que a vacinação contra a gripe assume um papel fundamental. Ainda que muitos continuem a encarar a gripe como algo “banal”, a verdade é que este vírus pode causar complicações sérias, sobretudo em pessoas mais vulneráveis — idosos, grávidas e indivíduos com doenças crónicas. A vacina não é apenas uma forma de proteger quem a recebe, mas também um ato de responsabilidade coletiva, pois reduz o risco de contágio e contribui para aliviar a pressão sobre os serviços de saúde. Em tempos em que a consciência sanitária deveria estar mais apurada do que nunca, recusar a vacinação sem motivo clínico válido é, no mínimo, uma decisão imprudente. A vacina contra a gripe funciona estimulando o sistema imunológico a produzir anticorpos contra a cepa do vírus da gripe esperada para a próxima temporada de inverno. Também ajuda a prevenir complicações decorrentes da gripe. A gripe pode enfraquecer o sistema imunológico, tornando as pessoas mais suscetíveis a infecções respiratórias secundárias, como pneumonia. Ao vacinar-se contra a gripe, pode reduzir significativamente a probabilidade dessas infecções adicionais. Importa também lembrar que o ideal é vacinar-se no início do outono, antes de o vírus começar a circular intensamente. Este gesto simples permite que o organismo desenvolva defesas eficazes e esteja preparado para enfrentar o inverno com maior resistência. Dicas adicionais para o bem-estar no inverno 1. Agende um check-up de saúde! Exames de saúde regulares são essenciais para manter o bem-estar. O inverno é uma ótima época para avaliar a sua saúde geral, e agendar consultas regulares permite a deteção precoce de possíveis problemas de saúde. Além disso, como muitas pessoas sentem quedas de energia e desafios imunológicos durante o inverno, é uma boa oportunidade para verificar o estado da saúde inicial e identificar áreas que possam necessitar de maior atenção. Na Globiprotec diagnostic, oferecemos testes rápidos de diagnóstico profissionais para áreas específicas, como por exemplo ,Testes Rápidos DUO Antigénio SARS-CoV-2 & Influenza A+B,  Streptococcus Grupo A ou autotestes para realizar em casa, como o Autotestes Vitamina D . Poderá realizar ou comprar estes e outros testes na sua farmácia.   2. Considere suplementos para deficiências vitamínicas Durante o inverno, muitas pessoas apresentam níveis mais baixos de vitaminas essenciais, principalmente a vitamina D. A vitamina D é frequentemente chamada de “vitamina do sol” porque nosso corpo a produz quando exposto à luz solar. No entanto, com dias mais curtos e menos luz solar, é fácil desenvolver deficiência, o que pode levar à fadiga, mau humor e enfraquecimento do sistema imunológico.Suplementos  com vitamina D são frequentemente recomendados durante os meses de inverno. Além da vitamina D, a vitamina C e o zinco também podem ajudar a fortalecer o sistema imunológico. A vitamina C está associada ao fortalecimento do sistema imunológico, e o zinco auxilia no funcionamento das células que mediam a imunidade inata. 3. Mantenha-se ativo e pratique exercícios regularmente Manter-se ativo é crucial para a saúde física e mental. O exercício não só fortalece o sistema imunológico, como também ajuda a reduzir o estresse, que pode enfraquecer as defesas do organismo. Uma curta caminhada ao ar livre pode ajudar a melhorar a circulação, elevar o humor e proporcionar um pouco de ar fresco. Além disso, a exposição à luz natural, mesmo em dias nublados, pode auxiliar o ritmo circadiano e melhorar a qualidade do sono. Em suma, cuidar da saúde no inverno é mais do que uma questão de conforto — é uma escolha consciente e preventiva. Vacinar-se contra a gripe, manter uma boa alimentação, fazer exercício e garantir que o corpo tem o que precisa para funcionar bem são gestos simples que podem evitar complicações sérias. O frio é inevitável, mas a forma como o enfrentamos depende inteiramente de nós.

Alerta para surtos de Hepatite A na Europa

A Direção-Geral da Saúde (DGS) alertou para o aumento da transmissão do vírus da hepatite A no país, onde foram notificados 504 casos de infeção entre 1 de janeiro e 31 de maio. Esta situação “configura um aumento da transmissão do vírus da hepatite A em Portugal, em linha com a tendência reportada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) sobre surtos ativos em diferentes países europeus”. Um surto de hepatite A atingiu também quatro países europeus, com mais de  2.000 pessoas  infetadas e nove mortos. O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) confirmou um “aumento significativo” nos casos do vírus hepático altamente contagioso entre janeiro e maio de 2025 também na Áustria, República Checa, Hungria e Eslováquia. Em Portugal do total de 504 casos confirmados de infeção aguda do fígado, 122 estão associados a transmissão através de contacto sexual, distribuídos por várias regiões do país, mas com maior incidência em Lisboa e Vale do Tejo e na Área Metropolitana do Porto, a maioria homens entre os 18 e 44 anos. Além dessa situação, a DGS avançou que foi identificado um segundo surto localizado nas regiões do Algarve, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo, com transmissão associada a condições deficitárias de salubridade, que tem afetado particularmente crianças. Segundo a direção-geral, a hepatite A é frequentemente assintomática ou ligeira em crianças com menos de cinco anos, mas, em adultos, pode manifestar-se de forma súbita, com sintomas como febre, mal-estar e dor abdominal, sendo a icterícia – coloração amarelada da pele e dos olhos – o sinal mais característico. Não existe uma forma crónica da doença e a infeção confere imunidade vitalícia, salientou também a DGS, garantindo que as autoridades de saúde a nível nacional e subnacional acompanham a situação em permanência, adotando as medidas de saúde pública adequadas para conter a propagação da infeção. Entre estas medidas, a DGS destacou o rastreio e seguimento de contactos, a vacinação pré-exposição dos grupos de risco e ações de educação para a saúde. A DGS adiantou que a vacinação pré-exposição contra o vírus constitui a principal forma de prevenção, sendo especialmente recomendada para pessoas que residem ou viajam para áreas endémicas ou com surtos ativos, com práticas sexuais associadas a risco acrescido de infeção e com doenças crónicas ou outras condições que possam agravar o curso clínico da infeção pelo vírus da hepatite A. A norma da vacinação contra a hepatite A está a ser revista para facilitar o acesso gratuito para os grupos mais vulneráveis da população. Segundo referiu, a vacinação está também disponível em regime de pós-exposição, dirigida a contactos próximos de casos confirmados, conforme as orientações nacionais em vigor e critérios de elegibilidade, com o objetivo de prevenir o aparecimento de casos secundários. Em articulação com organizações da sociedade civil e serviços de saúde sexual, a DGS tem vindo a desenvolver campanhas de informação e sensibilização, difundidas através das suas plataformas digitais e aplicações móveis de encontros.

Helicobacter pylori : diagnóstico, tratamento e prevenção

A Helicobacter pylori conhecida como H. pylori, é um tipo de bactéria que infecta o revestimento do estômago e é uma das principais causas de úlceras pépticas e gastrite crónica e pode contribuir para o desenvolvimento de cancro gástrico. Entender as últimas tendências relativas a sintomas, tratamentos e prevenção de infecções por H. pylori é crucial tanto para os profissionais de saúde quanto para o público. Conteúdo reservado a profissionais. Inicie sessão Este artigo aprofunda o estado atual da gestão da H. pylori, do diagnóstico às opções de tratamento e estratégias de prevenção.   Identificar os sintomas da infecção por H. pylori A infecção por H. pylori pode ser assintomática para muitos indivíduos, mas quando os sintomas ocorrem, poderão incluir: Ardor ou dor de estômago Dor abdominal que piora quando o estômago está vazio Náuseas Perda de apetite Eructações (arrotos) frequentes Inchaço Perda de peso   Testagem e diagnóstico da H. pylori A deteção e o diagnóstico precoce e preciso da infeção por H. pylori são vitais para um tratamento eficaz. Vários tipos de teste estão disponíveis, cada um com sua aplicação e adequação específicas. Teste respiratório de ureia para H. pylori: Este teste não invasivo deteta a presença de H. pylori medindo a quantidade de dióxido de carbono na respiração após beber uma solução de ureia. É altamente sensível e específico para infeções ativas. É útil tanto para o diagnóstico inicial quanto para confirmar a erradicação da bactéria após o tratamento. Teste de antígeno fecal para H. pylori: Este teste procura antígenos de H. pylori em amostra de fezes. Também é útil tanto para o diagnóstico inicial como para confirmar a erradicação da bactéria após o tratamento. (ver uso profissional e autoteste). Teste de sangue para H. pylori (serológico anticorpos): Os exames de sangue podem detectar anticorpos para H. pylori, indicando infeção passada ou presente. No entanto, não conseguem distinguir entre uma infecção ativa e uma anterior. A serologia deixou de ser recomendada porque não detecta infeção ativa, estando contra-indicada no controlo da terapêutica de erradicação; deverá ser apenas usado como um teste indireto – para estudos epidemiológicos.   Algoritmo de diagnóstico Um Algoritmo de Diagnóstico completo para H. pylori normalmente poderá envolver o uso de testes não invasivos, como o teste respiratório de ureia e o teste de antígeno fecal como diagnósticos de primeira linha.   Estratégias de Tratamento da H.pylori Tratamento da H. pylori A principal abordagem para tratar a H. pylori envolve uma combinação de antibióticos para matar as bactérias (bactericida) e medicamentos redutores de ácido para reduzir o ácido estomacal, facilitando a cura. O regime mais comum é a terapia tripla, que inclui dois antibióticos (por exemplo, claritromicina e amoxicilina) e um inibidor de bomba de prótons (IBP) entre 7 a 14 dias. A terapia quádrupla, que adiciona bismuto à mistura, pode ser usada como um tratamento de segunda linha ou em regiões com alta resistência a antibióticos. É importante seguir o plano de tratamento prescrito e tomar todos os medicamentos conforme as instruções. Em alguns casos, mais de uma rodada de tratamento (antibióticos) é necessária para cuidar da infeção.   Considerações sobre resistência A resistência aos antibióticos é uma preocupação crescente no tratamento da H. pylori. Adaptar a terapia antibiótica com base em padrões de resistência locais ou após tratamento inicial mal sucedido torna-se cada vez mais importante.   Insights sobre prevenção Prevenir a infecção por H. pylori é desafiador devido à sua presença generalizada e rotas de transmissão pouco claras. As recomendações gerais incluem: Praticar boa higiene das mãos Garantir a segurança dos alimentos e da água Evitar contacto direto com saliva ou matéria fecal de indivíduos infetados   Vacinas contra H. pylori A pesquisa de vacinas para H. pylori está em andamento, com a esperança de reduzir no futuro  a incidência de infeção e as suas doenças associadas.   Conclusão O cenário  da gestão da H. pylori está em evolução, com avanços em métodos de diagnóstico, regimes de tratamento e estratégias de prevenção. A deteção precoce e precisa por meio de testes de H. pylori é essencial para a sua gestão eficaz e a redução do risco de complicações. À medida que a investigação continua em desenvolvimento, novos insights prometem refinar a nossa abordagemno combate a essa infecção bacteriana comum, mas consequente, procurando melhores resultados para os doentes e, consequentemente, a prevenção de doenças associadas a H. pylori.  

Luta contra o cancro | Necessário maior investimento nos testes de diagnóstico in vitro (DIV)

Maior investimento em testes de diagnóstico in vitro (DIV) beneficia o sistema nacional de saúde e as pessoas contribuindo para mais e melhor vida. Esta foi uma das principais conclusões da Conferência “O papel dos testes de diagnóstico in vitro na luta contra o cancro”, que teve lugar no Centro Cultural de Belém, no dia 18 de Setembro. A conferência integrou as comemorações dos 85 anos da APIFARMA e contou com a participação de vários especialistas que debateram a importância dos DIV na predição, no rastreio e no diagnóstico precoce da doença oncológica. O coordenador do GT dos DIV da APIFARMA, Pedro Pereira, evidenciou o importante papel da medicina laboratorial na obtenção de informação fundamental na tomada de decisões clínicas nas diferentes etapas da vida, reforçando que este é um “investimento inteligente”. Ainda na Sessão de Abertura, André Peralta Santos, subdirector-geral da saúde, falou na Estratégia Nacional de Luta contra o Cancro 2023, que assenta em quatro pilares – prevenção; detecção precoce; diagnóstico e tratamento; sobreviventes – e que está alinhada com o Europe Beating Cancer Plan. O plano europeu de luta contra o cancro foi o tema central do keynote speaker da conferência, Francesco Florindi, presidente do grupo de trabalho sobre o cancro na MedTech Europa, apontou como prioritário o investimento nas tecnologias médicas e defendeu a sua integração nas estratégias de luta contra o cancro. É um investimento fundamental na prevenção e no diagnóstico precoce, como salientou Tamara Milagre, presidente da Associação de Doentes EVITA, que nos trouxe a história de Mariana Coutinho, uma doente oncológica que aos 22 anos teve o diagnóstico do primeiro cancro primário, através dos DIV. O painel de debate contou com a participação de António Araújo(Director do Serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar do Porto), Carla Bartosch (Direcção da Sociedade Portuguesa de Anatomia Patológica), Cláudia Vieira (Oncologista do IPO Porto) e Tamara Milagre, que debateram o papel dos DIV na luta contra o cancro e apontaram alguns desafios a ultrapassar, tais como a falta de autonomia das instituições, a falta do poder de decisão dos especialistas em anatomia patológica, a necessidade de uma maior participação dos cidadãos e a sua capacitação. Ao encerrar a conferência, o presidente da APIFARMA, João Almeida Lopes, defendeu um maior investimento nos DIV, de modo a garantir a sustentabilidade do sistema nacional de saúde, bem como mais e melhor vida para as pessoas. Os problemas burocráticos que o sistema de saúde em Portugal enfrenta são um dos principais entraves para as pessoas, frisou João Almeida Lopes. fonte: APIFARMA : https://apifarma.pt/news/luta-contra-o-cancro-necessario-maior-investimento-nos-testes-de-diagnostico-in-vitro-div/

Strep A: Infeção bacteriana rara e perigosa está a bater recordes no Japão

A bactéria pode causar dores de garganta, principalmente nas crianças, e muitas pessoas podem estar infetadas sem o saber e sem ter sintomas As autoridades de Saúde no Japão têm alertado para uma infeção bacteriana rara, mas perigosa, que se está a propagar a um ritmo recorde no Japão. De acordo com o britânico “Guardian”, o Ministério da Saúde está a tentar identificar a causa. O Ministério da Saúde está a intensificar a monitorização através da investigação de estirpes conhecidas pela sua patogenicidade e infecciosidade.  É expectável que o número de casos em 2024 ultrapasse os números (também recorde) do ano passado. De acordo com o jornal “Mainichi”, os números provisórios anunciados pelo Instituto Nacional de Doenças Infeciosas (NIID) apontam para 941 casos da síndrome do choque tóxico estreptocócico (STSS) no ano passado. E, só nos primeiros dois meses de 2024, já foram registados 378 casos, com infeções identificadas em quase todas as províncias do Japão. A maioria dos casos de STSS são provocados pela infeção pela bactéria chamada streptococcus pyogenes, comummente conhecida estreptococo A. A bactéria pode causar dores de garganta, principalmente nas crianças, e é possível estar infetado sem o saber e sem ter sintomas. Em alguns casos, a bactéria pode levar a um quadro invasivo – que ocorre quando as bactérias “passam” as barreiras imunológias -, levando a doenças graves e pode ser mortal. As pessoas mais velhas são consideradas de maior risco, contudo, segundo o NIID, esta estirpe do grupo A tem provocado mais mortes entre doentes com menos de 50 anos. De acordo com o jornal “Asahi Shimbun”, 21 das 65 pessoas com menos de 50 anos a quem foi diagnosticada a SST — entre julho e dezembro de 2023 — morreram. Entre os mais velhos, os sintomas podem ser semelhantes aos de uma constipação mas, em casos raros, os sintomas podem agravar-se e incluir faringite estreptocócica, amigdalite, pneumonia e meningite. Quando a infeção se torna aguda, pode causar a falência de órgãos. “Há ainda muitos factores desconhecidos no que diz respeito aos mecanismos subjacentes às formas fulminantes (graves e súbitas) do estreptococo, e não estamos numa fase em que os possamos explicar”, disse o NIID. Alguns especialistas acreditam que o rápido aumento dos casos no ano passado esteve relacionado com o levantamento das restrições impostas durante a pandemia do coronavírus. O “Guardian” cita ainda Ken Kikuchi, professor de doenças infecciosas na Universidade de Medicina de Tóquio, que diz estar “muito preocupado” com o aumento dramático do número de pacientes com infecções estreptocócicas invasivas graves. O professor acredita que o levantamento das restrições impostas durante a pandemia levou mais pessoas a abandonar as medidas básicas de prevenção de infeções, como a desinfeção regular das mãos. Até ao momento, não se registaram aumentos significativos de infeções por estreptococos do grupo A noutras regiões do mundo, contudo, a recomendação do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) é para que a sociedade científica monitorize a possível progressão das doenças relacionadas com o estreptococo do grupo A. Artigo original: https://rr.sapo.pt/noticia/mundo/2024/03/20/infecao-bacteriana-rara-e-perigosa-esta-a-bater-recordes-no-japao/371501/

Consumo de drogas ilícitas ao longo da vida aumentou mais de 60% em Portugal

expresso.pt O consumo de substâncias psicoativas ilícitas ao longo da vida em Portugal subiu mais de 60% desde 2001, situando-se a prevalência em 2022 abaixo da média registada pelo conjunto dos países europeus, revela um estudo hoje divulgado. “Entre 2001 e 2022, a prevalência ao longo da vida, para qualquer substância psicoativa ilícita, passa de 7,8% para 12,8%”, referem os dados que espelham a mais recente informação sobre o uso de substâncias ilícitas, lícitas, jogo e ecrã. Promovido pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), o V Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral foi iniciado em 2001, tendo sido replicado em 2007, 2012, 2016/17 e em 2022, sob a responsabilidade de uma equipa de investigação do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa, constituída por Casimiro Balsa, Clara Vital e Cláudia Urbano. Sobre este aumento da prevalência ao longo da vida, para qualquer substância psicoativa ilícita, os investigadores explicam: “Mesmo quando os hábitos de consumo se mantêm estáveis, a prevalência tende a aumentar pelo facto de, a cada aplicação [do inquérito], retirarmos da amostra um grupo etário que não tinha nenhuma relação com substâncias ilícitas — os mais velhos — e o substituirmos por um grupo, os mais jovens, que a passa a ter”. Nos 20 anos de recolha, as mulheres passam de uma prevalência de 4% para 7,4% e os homens de 11,7% em 2001, para 18,6% em 2022, revela o inquérito, que tem uma amostra de 12.000 pessoas, representativa da população entre os 15 e os 74 anos, por região, por sexo e por idades. Estes valores aumentam quando se isola a população dos jovens adultos (15-34 anos), com o consumo das mulheres a passar de 7% em 2001, para 9,6% em 2022, enquanto o consumo dos homens passa de 18,2% para 21,8%. “Com esta evolução, continuamos, como no início do milénio, com níveis de consumo abaixo dos registados no conjunto dos países europeus”, salienta o estudo, que é apresentado hoje num evento no SICAD, em Lisboa. Com o tema “Conhecer a realidade para intervir com qualidade”, o evento antecipa as comemorações do Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico ilícito de Drogas, que se assinala em 26 de junho. O estudo fez uma comparação no plano internacional do consumo de canábis, cocaína, anfetaminas, ‘ecstasy’ e LSD com base na prevalência dos consumos dos últimos 12 meses e tendo como referência os valores disponibilizados para 30 países europeus pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência. A canábis, substância ilícita com maiores prevalências de consumo, apresenta um valor máximo de cerca de 11% (Chéquia e França) e médio de 5,7% no conjunto dos países, estando Portugal, com uma prevalência de 2,8%, na 24ª posição. Relativamente ao consumo de cocaína, que na Europa tem uma prevalência média de 0,4%, Portugal encontra-se em 26.º lugar, com uma prevalência de 0,2%, e no consumo de anfetaminas a prevalência é inferior a 0,1%, sendo a média para os 27 países europeus que apresentam informação para esta substância de 1,4%. No caso do ecstasy, para uma média de 0,9% entre os 29 países que apresentam dados para este indicador, Portugal apresenta uma prevalência de consumo de 0,1%, a mais baixa de todas, a par com a Turquia. O consumo de LSD apresenta um valor médio de 0,4% para o conjunto dos 27 países que apresentam valores para este indicador, estando Portugal entre os países com menores prevalências (0,1%), a par da Bulgária, Chipre, Hungria, Itália, Lituânia e Luxemburgo.

Relatório Final | V Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral, Portugal 2022

Equipa de Investigação CICS.NOVA responsável pelo V Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral, Portugal 2022: Casimiro Balsa (Coordenador) Clara VitalCláudia Urbano O V Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral, Portugal 2022 (INPG 2022) foi realizado pelo CICS.NOVA – Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCSH) para o SICAD – Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, na sequência dos estudos que foram realizados em 2001, 2007, 2012 e 2017. Os resultados obtidos permitem consolidar o conhecimento sobre a evolução do consumo e os perfis dos consumidores de substâncias psicoativas – lícitas e ilícitas – tendo sido igualmente estudadas as representações sociais em torno de comportamentos de risco, as práticas de jogos de fortuna e azar e utilização da Internet. (…) O consumo ao longo da vida de medicamentos (sedativos, tranquilizantes ou hipnóticos) apresenta uma prevalência de 14,2 %, situando-se nos 7,4 % no decorrer dos últimos 12 meses e em 6,5 % quando se consideram os últimos 30 dias. O consumo de estimulantes apresenta, para o longo da vida, uma prevalência de 1,1 %, descendo para os 0,2 % nos últimos 12 meses e para os 0,1 % nos últimos 30 dias. A prevalência de consumo de analgésicos opióides é de 7,5 % ao longo da vida, 4,1 % nos últimos 12 meses e 2 % nos últimos 30 dias. O consumo de qualquer substância psicoativa ilícita é de 11,2 % ao longo da vida, de 2,6 % nos últimos 12 meses, e de 2,1 % nos últimos 30 dias. Para esta prevalência a substância que mais contribui é a canábis, que apresenta para os consumos ao longo V Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral, Portugal 2022 da vida uma prevalência de 10,5 %, para os últimos 12 meses 2,4 % e para os últimos 30 dias 2 %. As restantes substâncias apresentam prevalências ao longo da vida entre os 0,9 % (cocaína) e os 0,2 % (novas substâncias psicoativas). As prevalências de consumo entre a população geral são superiores entre os inquiridos do sexo masculino independentemente da substância psicoativa considerada, exceção para os medicamentos. O consumo de substâncias psicoativas ilícitas em Portugal nos últimos 12 meses situa-se abaixo do valor médio das prevalências observadas num conjunto de cerca de 30 países europeus para os quais dispomos de informações comparáveis. Aceda ao relatório completo em: https://www.icad.pt/DocumentList/GetFile?id=569&languageId=1

Amigdalofaringite aguda – proposta de abordagem baseada na evidência

PAULA MOURÃO*, RAQUEL MATEUS PALMA** RESUMO:Objectivos: revisão da metodologia para efectuar o diagnóstico da amigdalofaringite aguda estreptocócica (AFAE) face ao quadro clínico de infecção aguda da orofaringe; revisão das recomendações terapêuticas para aquela doença infecciosa.Métodos: pesquisa, medline, online e manual, dos artigos publicados nas revistas médicas nos últimos cinco anos. Descritores utilizados: sore throat, pharyngitis, tonsillitis, management, diagnosis, treatment, antibiotics.Conclusões: As características clínicas utilizadas isoladamente não permitem distinguir de forma adequada a infecção estreptocócica das causadas por outros agentes. Os scores clínicos aumentam a acuidade diagnóstica, ao identificar o grupo de doentes com baixo risco de infecção e ao permitir o aumento da sensibilidade diagnóstica nas crianças, grupo onde a febre reumática é mais frequente. A maioria dos autores defende que, antes de iniciar antibiótico, se deve testar a presença de estreptococos do grupo A na orofaringe, através de exame cultural ou de teste rápido para detecção do antigénio. Admitem a possibilidade de iniciar antibioterapia empiricamente quando for obtida a pontuação máxima no score clínico. A penicilina G benzatínica, em dose única intramuscular, continua a ser o tratamento de eleição da AFAE. Nos alérgicos, e só nesses, usar a eritromicina. Alternativas ao tratamento de primeira linha, sobretudo na AFAE recor- rente, poderão ser (por ordem decrescente de preferência): amoxicilina (isolada ou em associação com ácido clavulânico), cefalosporinas de primeira geração e novos macrólidos. … 4. Exames complementares de diagnóstico (ECD) São muitos os autores que defendem que os doentes com amigdalofaringite aguda devem ser testados para a presença de EBHA na orofaringe, através de exame cultural ou teste rápido para detecção do antigénio do estreptococo. Apesar da prescrição antibiótica poder ser reduzida se houver maior utilização de exames complementares de diagnóstico, tem havido uma resistência a esta estratégia por parte dos médicos. O facto destes exames não distinguirem o estado de portador de um caso de infecção aguda poderá ser uma das razões; na verdade, um achado positivo no exame cultural ou num teste rápido não permite diferenciar entre a infecção estreptocócica activa ou o estado de portador assintomático com faringite viral intercorrente, como foi demonstrado em vários estudos. Outro possível factor contribuinte para esta atitude é a não valorização do problema das resistências bacterianas. a) Teste rápido para pesquisado antigénio estreptocócico do grupo A (Phadirect, como vulgar- mente é conhecido) • confirma a presença de Ag (carbohidrato) do estreptococo grupo A no exsudado da orofaringe em minutos (cinco a 10 minutos),• tem uma especificidade elevada (95%), (73-80%): um resultado positivo(+)é equivalente a um exame cultural positivo (deve ser iniciado antibiótico (AB) sem necessidade de mais confirmação),• a sensibilidade varia entre 26- -30%, 80 e 90%, 58 a 96%, 65 a 75%: neste último estudo foi demonstrado que a sensibilidade deste teste é maior na presença de um «score clínico» mais elevado, ou seja, existe um valor adicional nos casos em que existe uma maior probabilidade de AFAE,• os resultados negativos devem ser confirmados com exames culturais; no entanto, alguns autores dizem ser uma recomendação controversa, porque:– o ganho na sensibilidade pode não se justificar pelo custo e inconveniência; não há grandes benefícios de resultados em áreas onde a incidência da febre reumática aguda é baixa,– nos adultos (principalmente com apenas um ou dois parâmetros) parece ser seguro efectuar apenas terapêutica sintomática,– nas crianças e adolescentes é prudente a confirmação por exame cultural especialmente num contexto de surto local,– há uma técnica mais recente (imunoensaio óptico) que apresenta nalguns estudos uma sensibilidade semelhante à do exame cultural. Revisão completa em: https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/9896

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